domingo, 13 de setembro de 2009

Coisas feitas

Eu quebrei minhas razões, quebrei minhas esperanças, quebrei os meus amores. Eu sofri grandes dores, nenhuma delas precisou ser cicatrizada. Elas ainda estão no fundo de minha alma, são machucados provocados pela dor da existência de pessoas que passam em minha vida.
Foi no escuro, foi na rua, foi na lua, foi você. Na noite anterior quando você dizia coisas e eu não me importava você tentava de todas as formas me conquistar, me seduzir, me questionar. Foram sempre três motivos para você me deixar ou então me suportar. Eu fiz de tudo para estar inteira ao seu lado, mas me quebrei e quando se quebra pode colar, mas ainda fica as marcas de colas ou cicatrizes no corpo mais perfeito.
Foi então que na madrugada quando você se foi eu me quebrei, os meus vizinhos já estavam dormindo e ficaria impossível eles escutarem. Eu morava em um condomínio que era feito especialmente para idosos eu me mudei para lá a uns três meses atrás o motivo era o silencio. Portando eu não podia me quebrar e fazer barulho quebrei as coisas de dentro, quebrei com a alma enfurecida de dor e amargura. Quis quebrar também o motivo de ter você, mas não consegui. Seria impossível quebrar você.
Venho à manhã triste, chuva, trovoadas e silencio. Eu saí daquela região, deixei uma carta escrita para quem quisesse ler em minha cama onde por madrugadas eu chorei de medo. Você não abriu e também não leu.
Eu me joguei no mar toda quebrada, o mar me engoliu e me jogou na areia novamente, pois é isso que o mar faz, ele devolve aquilo que não é dele. Eu me joguei para você e você fez da mesma forma, me jogou, cuspiu como se eu não fosse sua, mas realmente eu nunca fui. Durante a tarde eu passei pela rua que eu sempre te encontrava. Pela primeira vez eu não te vi, fiquei surpresa e confusa. Depois disso resolvi passar a noite em um hotel, quis escutar pessoas conversando e rindo, quanto tempo eu não fazia isso. Peguei a chave do apartamento e entrei, era somente um quarto com uma cama, um frigobar e paredes pintada de cores exóticas, pois bem eu me deitei, pensei em você mais uma vez e senti dores.
Quando eu não agüentava mais eu me matei naquele mesmo hotel. Você não veio me visitar, não compreendeu nada que fiz, eu morri no instante que você me deixou. Eu não tinha mais razão, esperança de te encontrar e os amores que construí foram quebrados e destruídos também. Você só descobriu isso tudo quando você também se quebrou por minha causa. Éramos tão apaixonados que a raiva tomou conta da gente. Nunca mais falei com você. Eu estava morta e você quebrado. Espero que dessa vez você faça tudo certo, não faça as pessoas se quebrarem, morrerem, e não use-as para o seu bem estar.
Você perdeu realmente uma pessoa que te amava tanto. Nunca mais tente recuperá-la. Você não vai conseguir. Eu me quebrei, morri, não sobrevivi. E você não fez nada por mim.
Foi a única coisa que consegui dizer. Obrigada para quem leu a carta.
Domingo, 13 de setembro 2009.

Thais Lima.